
Ouvi toda a sorte de reclamações exageradas e degenaradas (algumas delas verdadeiras) encerradas ali, dentro daquele baú chamado Thereza. Com os ouvidos já quase surdos, agradeci aos céus quando minha tia resolveu sentar-se para conversar com ela. Decidi só voltar à sala quando fosse hora de ir. Disfarçando minah vontade de sair dali com a vontade de beber água, quase corri pelo corredor que sabia, ia dar no jardim - objeto de meu desejo desde a hora que recebi o convite de ir a casa de minha vó - saí na cozinha, voltei e retomei a procura, ganhando assim o corredor que finalmente me levava a saída para os fundos, onde havia o jardim. Mas...onde estava??? Onde estavam as rosas de toda sorte, cores, tamanhos, as plantas que ao olhar transmitiam paz, e até saúde mental de tanta beleza que continham no seu verde, afinal, onde estava o belo jardim da minha linda vó altiva, maravilhosa, onde estava...eu ali. As lágrimas grossas que contive por 10 anos aproximadamente vieram, bem poucas, quase nada. Lembraram-me nessa hora confusa do filme "Espanglês" quando a Penélope Cruz diz a "su hija" que ela só pode chorar DUAS LÁGRIMAS e "nada más". Vem um impulso de risada. Vejo o cinza que aquilo tudo se tornou e um pedaço de torrão com uma muda quase seca de rosa chama minha atenção. Pego a muda, que pela experiência sei que não viverá, e retiro alguns espinhos, grandes espinhos. E meu coração... não há explicação para a dor que senti por não ver a linda rosa Palmeirão que já deveria ter brotado daquela muda, a variedade de uma rosa gigante com pétalas muito grandes mas muitos delicadas também, e de um vermelho que faria da irresistível maçã de Branca de Neve parecer uma simples maçã verde e sem graça. Se foi. Ela, a rosa mais bonita do universo, agora só existia no brilho da minha lembrança. Um susto: o pesado portão de ferro estava se abrindo: quem viria por ali destruir mais uma lembrança??



