Felipe MarqueZ

Minha foto
Felipe MarqueZ
São Paulo
Tudo de novo. . .
Visualizar meu perfil completo

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Sete Espinhos - Final


Meu pai estava ali. Nunca me senti muito bem em sua presença, desde sempre. A grande verdade é que não havia nada de intimidador em sua figura, mas sempre pensei em minha mãe, no que ele disse a ela assim que soube que estava grávida, e na réplica. Risos internos me corroíam querendo sair, lembrando do "Eu o educarei sozinha, FILHO DA PUTA!!". Modéstia a parte ela o fez muito bem. "- Oi Lipe! Como vai filho??" -Vou bem, e você...pai. Nem eu esperava aquele pai, tão pequeno, tão bruto, tão não de mim. A conversa foi fluindo, a faculdade entrou no assunto, tudo foi sendo discutido...tudo o que é discutido com uma pessoa com a qual não se tem muito contato. Ele saiu. Ele estava meio alegre, rosado (pois é, meu pai é branco, SUPER branco....é, eu sei.), acho que estava meio bêbado, mas era mais encantador, mais sedutor... meu pai era um homem...galante. Agora consegui ver como ele havia conseguido conquistar minha mãe: mulher forte, uma mistura de tudo de bom e santo com uma armadura de ferro protegendo tudo... a imagem de headbanger do meu pai também escondia algo: um hippie muito louco que era cavalheiro, doce e risonho... Um doce sorriso. Não havia nada do que se ressentir. Como um estalo, me lembrei de todas as vezes que eu tinha chegado a essa conclusão, de que a muralha era tão inútil quanto o ressentimento que eu alimentava. A muralha havia caído, porque não havia mais meio e nem porque para ela se manter em pé. Hora do almoço. Me desvencilhei dos discos do Metallica e da Nina Hagen, lavei as mãos e fui almoçar. Hora de ir. Saí dali me sentindo privilegiado... me sentindo filho de uma uma santa e de um louco. De uma deusa e do mais inteligente mortal. Saí dali com o grande privilégio de saber que fazia parte dali, que fazia parte daquele grande bando de desajustados, que fazia parte daquela família. Os meus espinhos...fui retirando: um a um. Fui usando no caminho da conversa, marcando cada ponto de mim, nele. Mais uma vez, consegui me encaixar e fazer do meu ressentimento uma grande risada; perceber o valor incrível de minha mãe, que fez isso toda a sua vida, mas de uma uma forma menos egoísta: transformava seu ressentimento em bondade. Consegui me libertar das últimas chagas que assolavam meu peito, lembrar da rosa que eu amava e ainda me lembrar que eu tinha uma vó que precisava visitar e principalmente, saber que fazia parte dali. meus espinhos... usarei todos para pontuar...achei divertido. =')

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sete espinhos - Parte III


Ouvi toda a sorte de reclamações exageradas e degenaradas (algumas delas verdadeiras) encerradas ali, dentro daquele baú chamado Thereza. Com os ouvidos já quase surdos, agradeci aos céus quando minha tia resolveu sentar-se para conversar com ela. Decidi só voltar à sala quando fosse hora de ir. Disfarçando minah vontade de sair dali com a vontade de beber água, quase corri pelo corredor que sabia, ia dar no jardim - objeto de meu desejo desde a hora que recebi o convite de ir a casa de minha - saí na cozinha, voltei e retomei a procura, ganhando assim o corredor que finalmente me levava a saída para os fundos, onde havia o jardim. Mas...onde estava??? Onde estavam as rosas de toda sorte, cores, tamanhos, as plantas que ao olhar transmitiam paz, e até saúde mental de tanta beleza que continham no seu verde, afinal, onde estava o belo jardim da minha linda altiva, maravilhosa, onde estava...eu ali. As lágrimas grossas que contive por 10 anos aproximadamente vieram, bem poucas, quase nada. Lembraram-me nessa hora confusa do filme "Espanglês" quando a Penélope Cruz diz a "su hija" que ela só pode chorar DUAS LÁGRIMAS e "nada más". Vem um impulso de risada. Vejo o cinza que aquilo tudo se tornou e um pedaço de torrão com uma muda quase seca de rosa chama minha atenção. Pego a muda, que pela experiência sei que não viverá, e retiro alguns espinhos, grandes espinhos. E meu coração... não há explicação para a dor que senti por não ver a linda rosa Palmeirão que já deveria ter brotado daquela muda, a variedade de uma rosa gigante com pétalas muito grandes mas muitos delicadas também, e de um vermelho que faria da irresistível maçã de Branca de Neve parecer uma simples maçã verde e sem graça. Se foi. Ela, a rosa mais bonita do universo, agora só existia no brilho da minha lembrança. Um susto: o pesado portão de ferro estava se abrindo: quem viria por ali destruir mais uma lembrança??

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

7 espinhos - Parte 2


A cortina, a mesma cortina. Acordei com a minha tia reclamando que não havia colocado o carro pra dentro o bastante. Fingi que não ouvi. -VÓ? Nada. Chamei outra vez, e uma voz fraca, quase inaudível respondeu um oi choroso, doente...um lampejo, uma memória. 5 anos. me vi de camiseta branca com os personagens do bananas de pijamas, shorts listrados de azul e branco e um tênis branco com aqueles reguladores de velcro - outra coisa que trago da infância, usar carteira com velcro por ser mais prática para abrir-; me via olhando para cima para ver o rosto e minha avó, uma mulher forte, com seus cabelos já quase brancos perfeitamente penteados para trás, seu vestido cinza, e o cheiro...o cheiro inebriante de pudim de leite pelo qual a casa estava tomada... um susto: minha vó me chamava. O cheiro de mofo... a mulher forte havia se tornado decrepta, com os cabelos cinzas e despenteados, a cor do vestido antiquado de outrora não estava só em seus cabelos, estava também em seus olhos. Beijei-a como nunca antes; nas mãos, no rosto e começamos a conversar. Na verdade, ela começou a falar. Como falava; era como se eu tivesse arrancado uma mordaça de sua boca.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

7 espinhos - Parte 1


Entrei no carro; dormi. Dormi o sono mais profundo o quanto se pode dormir dentro de um carro; e sonhei. Sonhei com a infância, uma parte triste dela. Um susto. Acordei já na rua de minha paterna e meu coração chorava. Me sentia a mesma criança cheia de expectativa - o maior mal que carrego desde a mais tenra infância. Acordei, agora realmente; fechei minhas mãos o mais forte que pude, como se pudesse evitar o suor não só delas, mas de todo o meu corpo com esse movimento. Retomei o homem que me tornei, fechei os portões da muralha que construi durante os anos. Até aquele momento não tinha sabido contra quem eu a havia construído. Abri os portões da casa de minha , como se fosse minha a casa na qual eu adentrava, era essa a impressão que eu queria dar a minha tia: de que estava em casa. Carro na garagem, portão fechado (aliás, agora já conseguia abrir e fechar o pesado portão de ferro que outrora nem conseguia mover), e meu coração voltava a reclamar, mas minha razão o interceptava de um modo que eu não conseguiria sentir a emoção inteira naquele momento, pois estava adormecido de lembranças só de estar ali, na entrada, olhando aquela cortina de pano e me perguntando: onde está o cachorro que adorava brincar com ela?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Ao ser amado.




AO ser amado;

Quando eu digo Boa Noite, só é realmente um "boa noite", um cumprimento todo desejoso de sonhos bons. Nele não há ironia nem dispensa, só há o desejo de que essa noite seja a mais maravilhosa da sua vida - como todas as outras em que eu te desejei...boa noite. As noites quando se está só são muito tristes, e quando o sono não vem, a angústia faz questão de fazer a visita em seu lugar - e ela não deixa pensamento livre, nos tomando por completo.... é próximo ao amor, mas não qualquer amor, é aquele lancinante, que medra noite a dentro, já em nossa alma, pois o coração ele já tomou por completo. OLHA E REPARA que, quando te pergunto como foi sua noite, não há curiosidade cínica nem libidinosa, mas sim de saber se foi tranquila ou até mesmo interessante, e por mais incrível que isso possa parecer, não me interesso, como já dito pelo sexo das suas noites, mas sim pela sua vida de todo dia. Eu te amo. Queria que soubesse do mais importante e não, não é o meu amor, pois sei que meu coração não é o único a jurá-lo fervorosa e eternamente a você, e também não quero que pense que tenho a audácia de afirmar que o meu amor é maior que todos os dos outros, não, não é isso. Entre as declarações (a de indignação e a de amor), perdi a verdadeira intenção que trouxe esse texto ao pedaço de papel: UMA BOA NOITE PARA MIM SIGNIFICA UMA CONVERSA... OU ATÉ O PENSAMENTO EM OUTRA PESSOA. o considerado "o que vier a mais" há muito deixou de ser interessante para mim...se bem (ou mal) me lembro foi quando você deixou de ser possível para mim. Boa noite, ser amado.


Por Luiz Felipe Marques de Queiroz.


Obs.: Não encontrei nem pintor nem nome do quadro.

domingo, 9 de agosto de 2009

Conversa de colo/Sábia Edith

- Será que é tão doloroso assim Edith??? Pra não tentar, pra viver assim, fugindo. . . fugindo cada vez mais dormente a cada passada, com as pernas rápidas, mas sempre sangrando... eu queria que o sangue cessace Edith, até sei o porque de ele jorrar... ele jorra sempre assim como você vê: fininho, lento e espesso; como arrependimento pela vida que tive até ontem. Queria errar e sentir Edith... acho que nunca senti. Só vejo o que acontece com a minha alma... ela sangra e não sente, não é horrível?? Nunca passou-me pela cabeça o quão tolo fui de achar meus amigos infantis por chorar e dizer que a dor da perda era insuportável, quando eles, na verdade, é que estavam crescendo e se tornando grandes. Será que dá tempo?? De ter cicatrizes, de lembrar como o que é ter o espírito da pergunta, será que dá tempo de ter medo de sofrer e mesmo assim ir?? Acho que dá. Quero tentar. Cansei de pensar que vou morrer tentando. Resolvido Edith: não quero mais gostar e não falar, ser bonzinho, não quero me sentir sozinho, não quero ter vergonha de cantar. . . amor, sexo, amizade. . .quero expectativa, quero dor, quero ser grande> sabe Edith, achei que ia chamar essa fase de FECHADO PRA BALANÇO....mas vai se chamar : aberto para ERROS (e acertos também são bem-vindos (desde que me condicionem ao crescimento)).

Por Luiz Felipe Marques de Queiroz






Obs.: Obrigado Mário Quintana, por abrir meus olhos (mostrando que ser classificado como "bonzinho" não é bom)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Não sei onde é ou onde onde.

É difícil recomeçar. Dar uma oportunidade para o acaso, para que ela seja outra. . . a grande verdade é que parece cansativo. Não sei se realmente preciso dessa mudança, mas sinto um vazio, um algo inacabado, um projeto que quer nascer, que quer realmente tomar forma fora de mim. Acho que nunca pensei que ser feliz, realizar-me profissionalmente, que viver a vida fosse realmente tão doloroso. Parece um ferida que quer cicatrizar, mas nunca cicatriza pois há algo. . . há algo que ela - a vida - ainda não me mostrou.